Especializações no exterior ajudam engenheiros de Mato Grosso a impulsionar o agronegócio com tecnologia avançada
O agronegócio de Mato Grosso, pilar da economia local e nacional, está se beneficiando diretamente das experiências internacionais de engenheiros brasileiros que, após mestrado e pesquisa no exterior, voltam com técnicas inovadoras para elevar a produtividade e a sustentabilidade no campo.
Dados do programa Capes‑PRINT da UFMT mostram que, até meados de 2023, foram apoiadas mais de 350 ações acadêmicas internacionais, incluindo programas de doutorado-sanduíche e pós-doutorandos nos Estados Unidos e em países europeus. Esses profissionais retornam com conhecimento técnico de ponta, ampliando a capacidade das universidades mato-grossenses e fortalecendo as fazendas com práticas mais eficientes.
O jovem cientista Pedro Henrique da Silva Parmezani, que embora seja natural de São Paulo, traz à tona o potencial dos talentos brasileiros que estudam fora. Formado Magna Cum Laude em Física Aplicada e Matemática na West Virginia Wesleyan College (EUA), com GPA 3,84, Pedro foi premiado com o Outstanding Physics/Engineering Award 2025 e o Senior Academic and Leadership Achievement Award, além de integrar o All‑Mountain East Conference Academic Team.

Sua pesquisa, apoiada pela bolsa SURE, investigou a atenuação de raios gama em materiais como chumbo, cobre e plásticos. Embora aplicada inicialmente à proteção contra radiação, tema relevante para áreas como saúde e segurança nuclear, essa técnica possui aplicações diretas no campo, como na desinfestação de sementes e no controle fitossanitário de grãos, práticas fundamentais para exportação segura e redução de perdas.
“Em viagens espaciais, onde cada grama importa, descobrimos que plásticos leves podem proteger quase tanto quanto metais pesados”, explica Pedro. “Essa tecnologia pode ser adaptada para garantir qualidade e segurança na produção agrícola do Brasil.”
Pedro segue agora para um mestrado em Engenharia de Sistemas nos EUA, focado em inteligência artificial e otimização de processos, habilidades que ele pretende aplicar em logística, armazenamento e preparo de grãos em Mato Grosso.
A aplicação prática dessas especializações é evidente: segundo pesquisas da UFMT, o agronegócio no estado valoriza mais profissionais com formação internacional, pois estes trazem protocolos mais avançados, tecnologias emergentes e parcerias globais que favorecem o desenvolvimento sustentável.
Além de Pedro, outros engenheiros de Mato Grosso também retornam ao país depois de estudos nos EUA, ganhando destaque em áreas como agricultura de precisão, biotecnologia e energia renovável. Esse fenômeno fortalece o setor agroindustrial local, líder nacional em produtividade de soja, milho, algodão e pecuária.
O governador e secretarias de Ciência e Tecnologia garantem apoio contínuo à internacionalização de pesquisadores, com convênios que facilitam o intercâmbio acadêmico e científico. Isso faz parte de uma estratégia para transformar Mato Grosso em um polo global de inovação agrícola, atraindo investimentos tanto públicos quanto privados.
Para Pedro, o retorno ao Brasil representa uma oportunidade mais ampla:
“Meu objetivo é levar soluções reais para o campo, com rigor científico e foco em quem será beneficiado, agricultores, consumidores e o meio ambiente.”
Sua trajetória é exemplar: transita entre ciência de alto nível, inovação aplicada e liderança jovem, valorizada por instituições públicas e empresas do agronegócio mato-grossense.
